
foto: retirado do site gentedagente.net
Ontem eu fiz uma série de comentários no twitter sobre o caso dos estudantes da USP. Disse que não consigo entender que existem pessoas que defendem o objetivo de todo o protesto. Tudo começou porque policiais que fazem ronda na faculdade pegaram 3 garotos fumando maconha. E por isso, os estudantes (cerca de 2% do corpo discente) querem que um campus onde estudam 50 mil pessoas fique livre de policiais que estão ali (teoricamente) pra fazer a segurança. Resumindo, querem ter a liberdade de fumar maconha em ambiente público. Eeste foi o motivo inicial de toda a confusão.
O fato deles não quererem a presença de policiais no campus já resume meu pensamento contra o protesto. Em um local onde circulam milhares de pessoas é imprescindível que se tenha vigilância. É um local grande e ermo em certos ambientes, onde já ouve caso até de morte recente, devido a tentativa de assalto (e foi após este acontecimento que a polícia se fez presente). Acho que essa iniciativa é fruto da educação cada vez menos frequente dos pais, onde tudo pode e os jovens fazem tudo o que querem, quando querem. Quando esbarram num poder maior, legislativo, acham que podem fazer protesto para alimentar seu próprio ego.
Tenho aquele pensamento de “quem não deve, não teme”. Se você cumpre com seus deveres de cidadão, não precisa temer a presença da polícia. Mas veja bem, quem me conhece sabe que (sem generalizar, obviamente), não sou fã nem defensora da corporação policial, de modo geral. Assim como vários setores, ali há cada vez mais corrupção, máfia e interesse de valores. Mas não ser fã é uma coisa, temê-los é outra.

foto: retirado do site gentedagente.net
Também não vou entrar na questão da legalização da maconha. Não sou contra a realização de protestos, quando se acredita e deseja uma coisa. Já fiz outros posts aqui a favor de manifestações de variados tipos, desde que realizados em ambiente adequado. A legalização da maconha há muito vem sendo debatida, e se estes estudantes querem poder fumar livremente, que façam mesmo protestos. Mas devem fazê-lo lá em Brasília, que é onde ficam as pessoas que realmente tem poder para mudar a legislação. A USP, assim como toda e qualquer instituição, apenas cumpre as ordens do país em que está fixada.
Depois que condenei o protesto, via twitter, algumas pessoas vieram me questionar sobre a truculência da polícia no momento da reintegração de posse. Gente, em nenhum momento eu defendi isso! O fato de não ser a favor do protesto não significa que fui a favor da forma como a coisa aconteceu. E quando digo ali em cima que não sou fã da polícia, é entre outras coisas por este motivo. Comumente eles agem com cidadãos como se estivessem lidando com terroristas, e não é assim que as coisas funcionam! É óbvio que eles não poderiam chegar na reitoria com educação e pedir educadamente que os estudantes se retirassem, mas também não precisava de dezenas de carros, motos, cavalaria, helicópteros e aquele show todo!
Acho sim que os estudantes foram baderneiros, agrediram fotógrafos e cinegrafistas (não falam tanto sobre ditadura e liberdade de expressão?), causaram esta confusão por idiotice e devem ser julgados por terem violado o patrimônio público com pichações. Sempre achei injustificável qualquer ato de violação a bens materiais alheios, desde a época que a criançada colava chiclete e escreviam com corretivo nas mesas das escolas. Mas também não tenho dúvidas que a polícia armou uma grande pegadinha e criaram grande parte daquele cenário de destruição que vimos no noticiário. Não é a primeira, segunda e nem a última vez que eles fazem isso (taí mais um motivo pra eu não ser fã da corporação).
E por falar nela, na mídia, vamos sempre atentar sobre tudo que lemos e ouvimos. A mídia é comprada, moçada. Sempre vão divulgar uma notícia de acordo com interesses maiores. Um fato dificilmente vai ser contado visto da classe com menos poder. Sou contra este protesto sim, pelos motivos reivindicados. Mas vamos analisar os fatos sempre sem pré-conceitos. Vi termos muito pejorativos sendo utilizado para nomear tanto os “maconheiros” como os policiais. Não é porque o cara fuma maconha que é marginal, não é porque o cara é policial que é corrupto. Vamos ter discernimento.